A minha vida toda eu não entendi o que tem ficado bem claro pra mim esse ano: não adianta controlar, o que tiver que ir vai e se for pra voltar volta; se não tivesse que ir nem teria ido e se não tivesse que vir nem teria vindo; as coisas vão e ficam, permanecem e morrem no tempo exato de cada uma delas, deixando marcas ou flores, vazios ou espaços preenchidos, amores, cicatrizes, mas sempre deixando alguma “lição de casa”. E quando a gente não entende o que elas vieram ensinar, a vida da mais uma chance de aprender a mesma lição, só que com uma outra cor de tinta, numa outra página… e se você não entender da segunda vez ela te deixar viver aquilo de novo e de novo e de novo… como uma paciente e persistente professora que te ensina de várias formas aquele exercício complicado até você aprender a fazer do seu jeito. Ela te ensina com firmeza, mesmo que você não goste, porque no fundo do fundo é pro seu bem.
Oh, vida! Que difícil a sua missão. Te julgamos, xingamos e reclamamos do quão injusta você é, quando na verdade tudo o que você veio fazer foi nos ensinar a tarefa mais preciosa e difícil de todas: amar! Amar e aceitar primeiro a gente pra conseguir aceitar o outro, amar nossa alma nua e desapegar de tantos papéis que interpretamos para sermos aceitos pelo mundo, amar as nossas falhas para não cobrarmos dos outros uma posição que esperamos de nós mesmos, amar o outro sem pedir que ele deixe de se amar pra inflar o nosso precioso ego, amar a dor do outro, mas principalmente acolher a nossa própria… O problema é que aprendemos desde o início do tempo que podemos chamar qualquer coisa de amor, é só falar no tom certo: opressão, submissão, ciúmes, possessão, dependência, ego, controle, medo…
Ah, amor! Que difícil a sua missão… ver todo mundo usando seu nome em vão, te procurando o tempo todo lá fora quando, na verdade, você já tava aqui dentro desde sempre.

