A máscara de flores da Liberdade

Parece que a maioria dos amores funcionam no seguinte ‘acordo’: “deixe de ser assim, deixe de ser assado porque me incomoda”. Quando foi que aprendemos que temos que deixar de ser nós mesmos para o outro ficar bem? Quando foi que a nossa liberdade passou a tirar a liberdade do outro? De alguma forma aprendemos que a liberdade dos outros tira a nossa. Acho que isso foi ensinado por nossos familiares desde sempre.
Eu segui esse caminho em todos os meus relacionamentos. Sempre me vigiando, sempre me podando, sempre querendo agradar, sempre deixando de ser eu em algum lugar para ser mais amada…. e foi só quando decidi experimentar o caminho contrário que tive paz comigo e mais amor por mim. Quando decidi começar a aceitar ser tudo que já sou (partes boas e ruins), ao invés de deixar de ser, é que conheci o respeito que tanto se procura quando se estabelece esse ‘acordo’ não verbalizado. Quando você respeita que o outro tem a liberdade dele você tem coragem de assumir as suas próprias asas.
Acredito que não é preciso deixar de ser nada pra agradar o outro porque se não podemos ser nós mesmos, partes boas e ruins, com quem nos ama então isso não pode ser amor… quem ama só ama… não cobra uma postura para que então haja amor.
Não confundindo grosseria e falta de respeito com liberdade, se a liberdade do outro não te agrada, saia… vá ser livre em outro lugar.  Pedir para que o outro diminua sua liberdade para você aumentar a sua própria é uma prisão, não amor. Abrir mão da sua liberdade pro outro ser mais livre também é uma prisão.
Acho que o problema começa quando não sabemos quem nós somos, e aí vamos confundindo as coisas… achando que punir é ajudar, ‘trair’ é ser livre, egoismo é cuidar se si, transferir frustrações internas para o outro é falar a verdade, ser frio é ser reservado, impor é ajudar. Nem sabemos mais a diferença entre a voz do coraçāo e a voz do ego disfarçado de alma. Somos tão certos de nossas “certezas” e autodesconhecimento que nunca nos questionamos a fundo, nunca procuramos a verdade escondida atrás das máscaras de flores.

Achamos nossos defeitos tão feios que queremos escondê-los atrás de máscaras e band-aids por não conseguirmos amar essa nossa parte “defeituosa”, mas a verdade nunca está escondida, nada é escondido. Já está tudo revelado, tudo já está sem máscaras aos olhos puros do coração. E ele ama assim mesmo: sombra e luz.

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