O ser humano tem dif
iculdade em ser livre. Crescemos tão acostumados em receber ordens e direções de uma figura de autoridade (normalmente pai e mãe) que temos dificuldade, ou não sabemos exercer nossa liberdade quando temos a opção. Não sabemos o que fazer com ela.
Percebi isso dando o meu Workshop. O exercício em que as participantes* mais tem dificuldade é no exercício onde eu dou toda a liberdade para que elas descubram o seu jeito de jogar, descubram o que deixa cada uma confortável ou não. Eu mostro como eu jogo, só para que elas tenham alguma ideia de como outra pessoa posiciona as cartas, embaralha, começa, mas na minha abordagem de ensino não existe regras, não existe certo ou errado, apenas o seu jeito de jogar.
As participantes não tem dificuldade em jogar Tarot porque lhes falta orientação e sim porque lhes falta rigidez (da minha parte para com elas), porque lhes sobra liberdade.
.
As dúvidas que mais escuto nessa hora do curso começam com “tá certo…?”, “mas assim não tá errado?”, “é assim mesmo?”. De tanto lhes responder as mesmas frases (“você que sabe!”, “tá confortável pra você? então tá certo!”, “não tem certo ou errado, tem o seu jeito”), elas eventualmente param de perguntar e o jogo flui.. e é lindo como elas sempre se surpreendem!
.
Nós não sabemos muito bem o que fazer com a liberdade porque, de certa forma, a tivemos poucas vezes. Passamos a maior parte de nossas vidas esperando uma direção, regras, aprovação, .
Essa rigidez não precisa ter sido verbalizada por nossos pais para ter sido entendida por nós. A nossa capacidade de perceber o sutil e o que não é expressado é muito maior do que pensamos.
.
Quanto mais criança se é, mais livre se é, pois ainda não se teve tempo de enrijecer, de dessensibilizar, de ‘copiar’ as frustrações de nossos pais. Por isso crianças são as coisas mais gostosas do mundo, são puras, inocentes!
.
Quando somos crianças, ainda não entendemos nossos sentimentos, e quando sentimos algo ruim, choramos, pois não sabemos conversar sobre isso e a maioria dos pais também não! Raramente perguntamos às crianças o que está acontecendo afim de realmente tentar entender, ou pedimos para que ela tente descrever o que está sentindo. Normalmente, é ai que vem um suborno “bobo”, um “para de chorar, que saco!”, ou qualquer outro comportamento repressor. E assim, elas (nós) vão aprendendo a reprimir o que sentem e a não perceber suas emoções.
.
Não estou criticando nenhum pai ou mãe, apenas compartilhando como percebo o nosso mecanismo de aprendizagem. Nossos pais, por falta de autoconhecimento, e muitas vezes por ego, depositam sobre nós o que acham certo, muitas vezes tirando a nossa liberdade de nos exercer, nos reprimindo. Por consequência, passamos nossas frustrações para nossos filhos, pelos mesmos motivos. Por mais que não queiramos passar para o outro algo que sabemos que não é saudável em nós, isso só é possível quando realmente curamos nossa dor. Até onde eu já percebi, só se policiar para que isso não aconteça não adianta.
Viva o autoconhecimento e ruptura das prisões que nós mesmos colocamos dentro de nós.

Vale lembrar que não sou psicóloga! Eu apenas medito, tento me perceber ao máximo em níveis mais profundos da consciência (ou falta dela), e fiz muitos anos de terapia, portanto acabo percebendo o mesmo loop nos outros. Esta é apenas a minha visão de mundo!
*me referi às participantes porque a maioria esmagadora das pessoas que fazem o meu curso são mulheres, mas o que percebi se encaixa para homens e mulheres.
