Onde passamos por cima de nós

A gente vai se conhecendo e vai entendendo onde flui e onde passamos por cima de nós mesmos em busca de algo.

Num momento inevitavelmente novo pra mim, vejo de novo meu trabalho como reflexo das minhas fases.
(Espero ter aprendido coisas saudáveis sobre como esse barco navega, porque Caê veio com sol de casa 6 que nem eu – rotina, saúde, trabalho).

Sobre meus descontentamentos com a internet de forma geral, mas principalmente com o Instagram, andei me perguntando como faço pra seguir meu fluxo num tempo-espaço que quer que eu siga a maioria?
Não consigo embarcar numa onda que não é minha. Não consigo fazer só porque todo mundo faz. Primeiro, me senti a deriva.

Acho tão rico buscar inspiração em outros raios de sol, e percebi que todas as minhas inspirações também estão cansadas, ou seguindo o fluxo de todo mundo. Me vi cansada de novo.

Então, me veio um gosto na boca e um cheiro conhecidos. Pra mim, as memórias e fases da vida são marcadas por sentimentos que tem cheiro, gosto, cor..
Rolei meu feed até 2017, até esse cheiro. E vendo tantas fases, processos e ideias, fui lembrando do que me transbordou esses anos e tive meu click:

O meu Instagram nunca foi sobre o meu trabalho. Ele é sobre mim, mas meu trabalho nasce tão de dentro de mim, que ele transparece muito aqui.
(É difícil separar as vezes, porque meu trabalho é um reflexo direto de mim. Se eu mudo, ele também)

Rolei até uma fase da minha vida de boom (profissional, relacional, pessoal), e isso não aconteceu pelos meus números no Instagram! Eu tinha infinitamente menos seguidores, e colhia muitos frutos! As coisas aconteceram porque eu compartilhei o que eu tinha dentro, e outras pessoas/oportunidades vieram chegando..

Fazer, criar, falar para ser vista nunca deu certo pra mim. É fazer e falar por mim que faz fluir lá fora.

Então, achei em mim mesma minha bússola calma. Entendi racionalmente o que meu corpo já estava me contando: “não é por esse caminho”.
Nunca foi sobre regras de mkt e algoritmo, e não vai começar a ser agora.
Não é entrando na onda de todo mundo, é botando mais de mim pra fora e vai chegar em quem tiver que chegar, como sempre chegou.
Não é fazendo virar um feed de trabalho, porque nunca foi.

Senti calma. Ficou mais leve de novo.


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