Puerpério e Maternidade

𓏲 Puerpério 𓆸: Talvez uma mulher nunca escute tantas dicas, sugestões e pitacos em sua vida que nem quando ela engravida e se torna mãe. Acho que até para as próprias mulheres, somos vistas como incapazes e necessitadas de ajuda. É, na maioria das vezes, invasivo até perder a noção!

Me lembro que na primeira semana de vida do Caê, naquele corre estressante de hospital-vacina-exames, Fernando entrou com o Caê pra fazer tudo isso enquanto eu fiquei no carro porque ainda estava me recuperando do parto e pra evitar me expor ao vírus num período mais delicado do meu sistema imunológico. Já estavam lá ha muito tempo, já tinham furado o Caê várias vezes e não conseguiam tirar sangue, então o Fernando me ligou pra que eu entrasse atrás deles pra dar de mamar e acalmar o Caê. Quando finalmente achei eles, o Fernando saiu da salinha só pra me avisar que já estava tudo bem e que eu poderia voltar pro carro. Nisso, uma mulher aleatória no corredor, deixou o filho de lado, e foi em direção ao Caê, com as mãos esticadas pra ajeitar a roupinha dele. Deixou o filho dela pra ajeitar um bebê, que nem é filho dela, que ninguém pediu ajuda, NO MEIO DE UMA PANDEMIA! A raiva que eu senti foi tão grande que o meu impulso foi de dar um tapa na mão dela! Por sorte minha, eu estava longe e quando isso aconteceu e minha mão não chegou a tempo.

De tudo que eu ouvi e escuto, talvez 90% eu tenha jogado fora, 10% eu adaptei pra minha realidade e outros 100% extras são de coisas realmente úteis pra mim que ninguém me disse, e que ninguém me diria porque talvez só funcione pra mim, pra gente. Ou seja.. é e foi vital ouvir minha intuição mais do que nunca pra saber pra onde seguir.

Sobre a amamentação e o puerpério, minha intuição me disse para parar de ler relatos e deixar as coisas acontecerem, porque mulher nenhuma tinha escrito a história que eu ia viver, porque cada uma escreve a sua jornada, e eu precisaria viver a minha para escrevê-la. Mas de tudo que eu li, minha cabeça criou um resumo mais ou menos assim: “um mar deserto, solitário, profundo e triste que todas as mulheres passam e que as transforma”.Sendo honesta, isso me pareceu um grande resumo da minha vida até os 22, e eu morria de medo de viver isso de novo. Vai ser pior do que já foi? Vai ser pior do que o meu 1º trimestre da gravidez?

Então, parei de ler. Talvez, um bom conselho que alguém pudesse ter me dado é: busque olhar para suas solidões de vida durante a gravidez, pra você ter um puerpério mais quentinho dentro de si! (Mas esses são os conselhos dos 100% extra que só eu poderia ter me dado)

Nos primeiros dias achei que estivesse delirando porque eu só sentia um grande sol de verão no meu peito. Cadê os hormônios? Cadê meu deserto solitário?

Esperei mais um pouco mas só me sentia (e ainda me sinto) a flor da pele, mas isso poderia acontecer em qualquer outra época do meu ano.

Então, me dei conta: Minha sorte foi minha intuição e minha curiosidade por mim. Percebo agora, navegando pelas minhas águas, que se eu já não tivesse olhado pra essa companheira de tantos anos, eu não estaria navegando “tranquila” agora. Se ela já não tivesse sido tema de 80% das minhas terapias, artes, insights, trabalho.. Minha solidão com certeza estaria me comendo viva, como já me comeu antes. Hoje eu olho ela nos olhos e ela não me devora mais!

Não vou falar que estou vivendo um verão sem chuva perfeito na praia porque isso não é verdade e verões perfeitos tem chuva! 🌞🌈 Tenho meus dias de chuva, mas sinto forte dentro de mim que se eu já não tivesse me navegado tanto antes, eu estaria um longo deserto solitário.

A linha é muito tênue em algumas madrugadas. As vezes eu passo (e me permito passar) pro lado de lá, porque isso é essencial no movimento de voltar pro lado de cá ♥️

Hoje eu vejo, que se não fosse por ela, eu não seria quem eu sou e eu amo quem eu me tornei ✨ se eu já estivesse bebendo meu vinho, um brinde seria pra minha solidão e outro pra minha solitude! ♥️🌈


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