Sobre colo!

Tô olhando o Caê mamar e me olhar como se enxergasse o que eu tenho dentro do peito, abraçado comigo com a mão agarrada na minha roupa, e nesse chamego, não sei se sou eu que nutro ele ou se é ele que me nutre.
Olhando pra essa calmaria que a gente fica quando ele tá no colo, não faz sentido, PRA MIM, privar ele disso.

Ouvi de uma médica palpiteira no hospital e de uma mãe que apareceu do além essa semana pra dar pitaco, que eu não deveria acostumar meu filho no colo porque quando ele tiver com 10kg, ele vai estar mal acostumado e eu não vou dar conta. Com isso, entendo que se o meu filho chorar inconsolavelmente eu não devo dar colo para acalmá-lo e que se ele quiser ficar de chamego depois de mamar, eu deveria cortar isso e que além de privar ele, eu deveria me privar dessas sensações também.

Não dar colo, PRA MIM, é privação de afeto, provavelmente porque eu não tinha o colo dos meus pais a maior parte esmagadora do tempo e me lembro de não ter em momentos que eu precisei muito e NOSSA COMO ME FEZ FALTA! Não deixar meu colo disponível pra quando ele pedir e precisar, independente de idade ou do tamanho, vai contra muito do que eu acredito.

Me pergunto se esse pensamento sobre afeto não é herança de gerações de criação e educação rígidas para não criar filhos “moles”, de filhos como mão de obra, de várias gerações que aprenderam a ver “afazeres domésticos” como a forma de cuidado materno mais possível porque a mulher só seria boa esposa e mãe se a casa estivesse em ordem, crianças que para ter o afeto e aprovação do pai, deveriam “andar na linha e trabalhar” com dureza desde cedo.

Se até eu, que sou adulta, faço terapia, e consigo me consolar e confortar, ligo pra minha mãe chorando e pedindo colo de vez em quando, imagina um bebê que acabou de chegar no mundo! Outro dia mesmo, liguei pra minha mãe, ela veio, me deu colo, e passou!

Eu nunca vi ninguém chegando na terapia pra mim e falando “eu me senti amada porque minha roupa estava passada e meu conhecimento estava em dia”, mas já ouvi incontáveis vezes o tanto que um colo fez falta.

Pode ser que quando ele tenha 10kgs eu não consiga carregá-lo por tanto tempo, mas eu confio que eu tenho uma cabeça esperta o suficiente pra criar formas de adaptar esse colo.

Conselho/ajuda é diferente de dar pitaco. Pitaco é razo, cheio de razão e invasivo! Você tem certeza que sabe o problema de outra pessoa (muitas vezes nem é um problema pra ela), e daí você assume com certeza que sabe a solução, baseado totalmente na sua realidade! Pitacos não contemplam a realidade da outra pessoa e MUITO MENOS a base que sustenta essa realidade.

Pra cada pitaco que eu receber agora, eu vou enviar uma lista de afazeres atrasados pra pessoa vir me ajudar. O filho dela deve estar dando pouco trabalho e deve estar sobrando tempo na vida dela pra conseguir cuidar da vida dos outros, então se organizar direitinho, dá pra todo mundo criar o Caê enquanto eu faço vários nadas.


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