A reforma íntima que a maternidade e a paternidade necessitam

Não é nada fácil sermos as melhores mães e pais pras nossas crias. São criaturas pequenas, que exigem atitudes de gigantes!
Principalmente, a coragem de olhar pras nossas dores de infância, e não repetir a nossa história, porque a criança na nossa frente tem demandas e potenciais completamente diferentes das que nós tivemos.

E nós não somos nossos pais, né? Ou somos?
A história tende a se repetir se não olhamos pra ela e acolhemos o que ela traz.

Os pequenos vão buscar a atenção dos pais onde ela estiver, inclusive em histórias de dor, se é pra lá que a atenção dos pais está indo.
Vamos fazer de tudo pelo amor dos nossos pais. E, por amor, podemos fazer de tudo pelo bem dos nossos filhos, mas se o passado não está curado, fazer o melhor pra eles geralmente significa fazer de tudo pra que eles não sintam a nossa maior dor. E sem consciência, isso significa ficarmos alienados as necessidades reais dos nossos pequenos porque estamos desesperados demais tentando suprir as nossas demandas emocionais de criança ferida.

Somos engolidos pela nossa própria história: As vezes, se os filhos viverem a mesma história que nós, aí sim poderemos ser bons pais, e ajudá-los de verdade, porque já passamos por isso e acreditamos saber como cuidar.

Parece loucura? Já atendi mães que não percebiam pensar assim.
Não há limites pras narrativas do nosso ego e do nosso inconsciente quando a gente busca se (re)conhecer. Ele é o melhor roteirista de Hollywood que já existiu.

Para sermos os melhores que podemos ser, pede de nós uma constante autoanálise, mas muitas vezes pede que aprendamos com o melhor dos nossos pais também. E isso pode ser muito muito difícil, porque o melhor deles pode estar misturado na nossa dor com eles, nos erros e defeitos, ou na imagem que fixamos deles na nossa mente para nos proteger.

Essa parte é complexa! A história de cada um de nós é única e cheia de contextos ocultos. Alguns carregam rachaduras na alma. Para alguns, o melhor que os pais poderiam dar é a própria ausência, porque a presença deles é um risco a própria vida da criança.

Separar o joio do trigo. Achar dentro de nós o melhor dos nossos pais para somar ao melhor que podemos ser enquanto pais. Esse é um passo de gigante. Talvez uma caminhada de uma vida inteira.

Achar os pontos positivos dos nossos pais, no meio de comportamentos que nos trouxeram dor, e falar “Somos mães/pais bem diferentes, mas para eu ser a melhor mãe que eu posso ser, eu preciso aprender com essas qualidades suas. Eu me abro pra te receber, mãe/pai.”

Nunca é fácil olhar pra nossa criança ferida. Mas acredito que uma vida sem olhar é muito mais difícil. Para os que estão com a gente também.


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