Toda vez que criamos definições e certezas, a vida em algum momento, vai nos convidar a deixá-las morrer. Vai ter desconforto. Vamos precisar exercer o desapego, a nossa habilidade de por fim e deixar morrer, porque aquele lugar eventualmente vai se tornar pequeno para nós.
Algumas pessoas vão encarar isso com tanta naturalidade que não vão nem perceber esse movimento acontecendo, mas as apegadas vão. Algumas pessoas tem mais furacões, grandes perdas e reviravoltas na vida do que outras também, essas também precisam dessa habilidade pra sobreviver.


Eu nunca tinha parado pra observar que o desapego acontece em etapas. É claro que ele normalmente acontece aos poucos, mas de pouco em pouco, se formam fases.
Eu não tô falando de desapeguinho, tô falando daquelas mudanças enormes que nos convidam a virar a vida de ponta cabeça, a encontrar um novo sentido.
Primeiro, parece que a gente vai morrer sem aquilo que estamos apegadas, não dá nem pra pensar naquela hipótese direito. Mesmo quando a gente tem consciência de que ir pra próxima fase é importante, um pedacinho nosso está morrendo ali.
Paralisia. Água parada. Um momento pro “luto” é preciso!
Depois, ainda não estamos prontos para dar um pulo do penhasco em direção ao novo, mas já demos um passo, e quando olhamos para trás, já não é suficiente mais permanecer ali. O que tínhamos começa a parecer pequeno comparado a liberdade que vemos adiante.
Num terceiro momento, já conseguimos dar mais alguns passos para frente. Pode ser que a gente ainda tropece, queria voltar pra trás e não sinta tanta firmeza nas pernas. Que nem um bebê que começou a andar agora, é um território novo que a gente ainda não sabe bem como explorá-lo.
É um mix de euforia pela novidade, com um pouco daquele sentimento velho de estagnação e apego. Mas a couraça já está saindo.
E aí vem o quarto momento. A vontade de querer pular do penhasco e confiar que as nossas asas (que a gente não sabia que tinha) vão abrir e nos levar para um lugar em que é muito nosso, e está nos esperando tanto quanto estávamos procurando por ele.

