Na palestra que eu dei em Junho, me perguntaram se eu atendo sem o tarot. Fiquei alguns segundos ecoando aquela pergunta na minha cabeça, apesar de já saber a resposta. Percebi um certo receio com o tarot apesar de eu ter acabado de dar uma palestra mostrando ele a partir de um lugar super amoroso e vulnerável.

E eu entendo o medo. Eu mesma só descobri o tarot nesse lugar amoroso por medo e trauma de todas as leituras fatalistas e futuristas que tinham feito pra mim enquanto eu crescia. Eu conto nos dedos de uma mão quem eu permito que jogue pra mim, porque nesse lugar o tarot não acontece como um abraço, ele acontece como um golpe, e eu não gosto de me sentir invadida.
Por isso o acolhimento antes do tarot. Antes dele vem a singularidade, a história, o contexto, a criança. Nas minhas mãos, ele não vai pro futuro e ele não é fatalista. Nas minhas mãos ele faz o que não tá sendo visto e precisa de um abraço.
Me lembro de quando comecei a não precisar mais dele nos atendimentos e eu entrei em pânico 😂 me sentia uma farça por não precisar do tarot num atendimento de tarot. Mas aí eu entendi que a função dele na minha mão era me ajudar a entrar no ponto do trauma, é que existiam outras formas de fazer isso.

Então eu respondi que sim. Que eu consigo atender sem ele. Mas que em muitos atendimentos, eu atendo melhor com ele, mas que se a pessoa tivesse medo, eu poderia usar só as minhas outras ferramentas.
Mas senti um desconforto em dizer aquilo. Uma coisa é eu não precisar usar e outra coisa é não poder usar. Não poder usar acontece num lugar que não me cabe por completo.
Eu só estou aqui hoje porque eu vivo o tarot como vivo. Todos os outros conhecimentos e ferramentas que eu tenho só vieram porque eu descobri o tarot primeiro! São quase 10 anos trabalhando juntos. É meu companheirinho ✨
